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08/12/2015 12:46

DOENÇAS CARDIOVASCULARES E MUSCULAÇÃO: UMA ÓTIMA OPÇÃO
por Ruy Junior

O tratamento não farmacológico de doenças cardiovasculares ainda é muito discutido entre os profissionais da área de saúde, porém pesquisas científicas realizadas recentemente estão oferecendo uma nova visão sobre qual tipo de exercício físico pode ser mais benéfico para as pessoas acometidas por essa forma de patologia.

 

Atualmente o posicionamento da American College of Sports Medicine que é a entidade mais respeitada no mundo sobre medicina esportiva julga o exercício resistido (musculação) tão eficaz quanto o exercício aeróbio para o tratamento dessas cardiopatias, destacando ainda alguns pontos que se sobressaem positivamente em relação ao exercício aeróbio. Para exemplificarmos as principais conseqüências fisiológicas da sobrecarga imposta ao coração pelas duas formas de exercício, vamos pensar na seguinte situação: imagine que dois carros zero quilômetro são comprados pela mesma empresa, porem um deles é destinado apenas para serviços no perímetro urbano, ou seja, a rotação do motor quase nunca vai ao máximo e sempre há paradas em esquinas e outras situações, fazendo com que haja pausas regulares reduzindo o trabalho imposto a esse motor. Já o outro carro foi destinado a executar todos os tipos de viagens mais longas, ou seja, o motor sempre está perto do seu máximo, mantendo uma rotação alta e constante, ainda percorrendo uma quilometragem sempre muito maior e com muito pouco intervalo para descanso.

 

Analisando as duas situações responda: qual motor oferecerá problemas primeiro? Certamente o que percorre maiores distâncias e com pouco descanso. Quando falamos em exercício físico podemos comparar o trabalho realizado pelo coração com o do motor de um carro, onde a primeira situação de andar apenas dentro da cidade equivale ao treinamento de musculação podendo ser realizado de uma forma onde o coração não seja exigido em sua máxima capacidade, tendo intervalos de recuperação e com um menor tempo de sobrecarga ao coração, já que por mais que você passe uma hora na academia, o tempo de exercício real do seu coração é bem menor pelo fato de haver pausas para recuperação entre as séries.

 

Pensando no exercício aeróbio podemos comparar com a segunda situação, onde o motor enfrenta grandes distâncias em rotação mais elevada e sem descanso, pois quando o trabalho aeróbio não é feito de maneira intervalada é isso que ele representa ao coração.

 

Quero deixar bem claro que não sou contra o exercício aeróbio para o tratamento dessas cardiopatias, muito pelo contrário, reconheço toda sua importância terapêutica, porem o que não concordo é a descriminação que a musculação sofre nessas circunstâncias. É importante que todo mundo se lembre que musculação não é só quando o indivíduo faz uma força sobre humana para levantar ou empurrar uma carga gigantesca, onde a pressão arterial e batimento cardíaco atingem números exorbitantes. Um idoso de noventa anos executando determinado movimento com séries, repetições, intervalos pré-determinados entre outras variáveis com uma barra leve e sem pesos também está fazendo musculação, o importante da musculação para o cardiopata é que seja muito bem controlada a intensidade e volume para cada caso.

 

É vital nas duas formas de exercício para o cardiopata que haja o controle da pressão arterial e freqüência cardíaca, podendo serem facilmente controladas por um frequencímetro e um aparelho digital para aferição da pressão, portanto se o treinador determina os valores máximos dessas duas variáveis durante o exercício, qualquer forma de exercício se torna segura, lembrando que a musculação pode oferecer o estímulo suficiente para a melhoria da cardiopatia exigindo menos do coração, pelo fato de ser executada de maneira intervalada, porem o exercício aeróbio bem planejado também pode beneficiar o indivíduo com o mesmo modo intervalado de treinamento.

 

Claro que muitas outras variáveis devem ser controladas, mas com toda certeza a musculação aliada ao exercício aeróbio pode oferecer melhorias para todo o sistema cardiovascular, evitando doenças do coração e também contribuindo com o tratamento, levando a uma situação em que a medicação possa ser reduzida ou até mesmo suspensa em determinados casos.

 

Referência bibliográfica:

American College of Sports Medicine, Exercice and hypertension, 2004

 

Grande abraço a todos e bom treino intenso!

 

Prof. Esp Ruy Junior – Membro do Centro de Estudos em Performance e Estética Fisiológica (CEPEF) e Responsável pelo Programa de Treinamento e Consultoria “ALTA INTENSIDADE”.

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